sexta-feira, 3 de maio de 2013

Verdade, não-verdade e política o.O

Até que ponto acreditar nas versões que se apresentam como justificativas para ataques, guerras, mortes, destruições?

Antes de ingressar no assunto que se pretende especificamente neste post, é preciso esclarecer que cada publicação aqui será baseada na série pós-apocalíptica - dá pra perceber pelo título do Blog! - The Walking Dead (desenvolvida por Frank Darabont). O programa reúne temas a partir dos quais se desenvolvem discussões muito bem aprofundadas sobre vários assuntos, sejam eles filosóficos, sociológicos, jurídicos, políticos, médicos, morais... enfim, sob o enfoque de qualquer perspectiva, científica ou não. Acho que os admiradores da série - como eu - e de uma boa discussão poderão aproveitar esse espaço para explorar cada possibilidade apresentada em diversos episódios da série.

O que é a verdade senão aquilo que está desvelado, aquilo que nos é mostrado. Seu oposto não é a falsidade, mas sim a não-verdade. A verdade é aquilo que se apresenta como tal. Não há muito tempo que essa concepção me foi revelada (em Hermenêutica Heterorreflexiva de Wálber Araújo Carneiro). A importância dessa afirmação para o que vem a se tratar aqui (nesta postagem inicial!) é a correlação daquilo que politicamente se nos apresenta como verdade e como justificativa para manobras, tomada de medidas políticas (ou geopolíticas, com queiram).

A temporada mais densa de TWD é, com segura certeza, a terceira, na qual se apresentam muito nitidamente duas figuras líderes: Rick e Phillips [ou o Governador]. Ambos conquistaram a confiança de cada um de seus grupos em meio ao caos. São líderes carismáticos, numa classificação próxima daquela que Max Weber sugeriu, onde a dominação ocorre pelo reconhecimento em determinada personalidade, na confiança em seu poder de direção e coordenação. 

Quem acompanha a série desde o início "conhece" Rick e percebe sua evolução, seu desenvolvimento e a frieza que ele adquiriu. Em sua liderança, aliás em ambas as lideranças e em cada comportamento em particular, é possível verificar-se um certo utilitarismo (assunto para outro post!), um procedimento de balanceamento de consequências que dirigem a tomada de certas medidas, muitas vezes drásticas, mas "necessárias". Rick, poder-se-ia dizer, possui um caráter mais humano que o governador, mas ambos carregam a responsabilidade de proteção de sobreviventes dispostos a seguir as suas orientações, e na hora de agir frente aos desafios e ameaças calculam com frieza e com valores que se constroem baseados no bem estar geral - ou no bem estar de cada um, a depender da situação!

Mas voltando à verdade, ao desvelamento. Nos episódios finais da terceira temporada, mais especificamente o ep. 13, ambos os líderes "mentem", ou "contam suas verdades", num modo mais eufemista de dizer. Só sabemos que é mentira porque, como espectadores, temos acesso aos dois discursos (isto é, os discursos efetivos e os alegóricos!) e sabemos dos reais objetivos de cada um. 

O Governador, após uma proposta nada tentadora, sugere a Rick que entregue um dos membros de seu grupo (Michonne) para que ele possa se vingar (pela perda de seu olho) e, segundo a versão dele, suspenderia o ataque à prisão (espaço seguro contra os  walkers) ocupada pelo grupo liderado por Rick  e  encerraria a tensão entre os dois grupos A verdadeira intenção dele era simplesmente "finalizar" com todos. Enquanto isso, para seus próprios governados, ele serve a ideologia do medo;  a verdade (desvelada para o grupo de Woodburry) é que o grupo Prision  é um grupo de terroristas que querem dominar e exterminar, quando o que realmente corresponde aos fatos é a vontade de Rick de que cada qual permaneça em seu lugar. 

Rick, por outro lado, mente - em certos termos - para seu grupo. Omite a "proposta do governador" e apresenta que o que ele quer mesmo é o extermínio de todos, sem piedade! Talvez seja perspicácia, mesmo porque é essa mesmo a pretensão. mas ainda assim é uma verdade, um desvelamento usado alegoricamente como ideologia do medo, instalando um espírito de tensão e defesa.

Disso tudo, e aqui não cabe aprofundar em temas densos - não há espaço para isso - só é possível refletir sobre as possibilidades de o mundo reproduzir a ficção(ou vice-versa)! As verdades apresentadas, os dados, as intenções dos agente na política mundial e outros espaços são realmente o que são? Até que ponto acreditar nas versões que se apresentam como justificativas para ataques, guerras, mortes, destruições?

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